O humano mediocre

“Desacredite a família como uma instituição, encoraje a promiscuidade e o divórcio” – Essa frase foi escrita em 1958 pelo ex-agente do FBI Willard Cleon Skousen, em seu livro intitulado The Naked Comunist. Junto a ela existem mais outras quarenta e quatro, formando o que a esquerda política costuma chamar de “agenda”. Essa “todo list”, com os objetivos claros de implementação ideológica por uma via pouco usual, busca subverter a América de dentro para fora, já que o oposto é impossível. Isso se deve somente a um único e grande obstáculo: os indivíduos que a compõem, pois suas condições morais, espirituais e patrióticas são incompatíveis.

Com a ajuda do aparato burocrático e cultural a favor da Agenda, o indivíduo que deseja se casar e constituir uma família encontra empecilhos, como os de se ver afastado dos filhos em caso de divórcio, chegando a (não muito raro) pagar injustas pensões, além de ver ruir os bens construídos durante toda uma vida. Tudo isso, somado ao incentivo da promiscuidade midiática e comportamental.

O item vinte e sete da mesma agenda, diz que é necessário desacreditar também o transcendente, pregando que a religião, não passa de uma “muleta espiritual” que sustenta os fracos. Aquele que é independente – como já afirma Nietzsche e todos os relativistas a posteriori – encontra a sua própria moral. Nesse ínterim, é óbvio que essa casta independente – que de fato não pratica a independência – banalizará esta prática, absurdamente cristã, chamada perdão. E com o perdão relativizado, qual relacionamento perdura?

É da natureza humana o anseio à felicidade. E no microcosmos de cada indivíduo, o vislumbre da ordem se dá por meio de um relacionamento constituído através de laços afetivos, tendo como possibilidade última a procriação, originando justamente aquilo que a agenda mais detesta: uma família. Insuficiente com o sucesso contínuo de “checks” de cada item dessa lista, encontra-se a sociedade em uma tragicômica e perversa realidade: um terreno previsível, previamente minado de maneira cirúrgica, onde cada passo é um desafio ao divórcio. Desta maneira, quem se arrisca a ter uma família?

Somado a tudo isso, um indivíduo pode ter “a sorte” de algumas escolhas ruins ao longo de sua vida, e acaba por refugiar-se das consequências ruins de seus atos ou de suas frustrantes relações interpessoais, fugindo da instituição familiar. A possibilidade de não ter filhos, que outrora era remota, atualmente passa a ser uma realidade a ser considerada por muitos. Nessa linha de pensamento, dentro dos vários subterfúgios que as pessoas são capazes de criar, dedicar-se à carreira profissional é uma delas, e não muito raro, a recusa dos desgastes estéticos que uma gravidez pode acarretar em se tratando da mulher moderna. A carência afetiva será o próximo passo, e na vã tentativa de saná-la, nada melhor do que se afogar no carinho incondicional oferecido por um animal de estimação.

Em dados do IBGE coletados em 2013, casais sem filhos estão preferindo a companhia dos animais de estimação em vez de compartilhar a vida com crianças. Segundo essa pesquisa, “de cada cem famílias, 44 criam, por exemplo, cachorros e só 36 delas têm crianças até doze anos de idade”, chegando-se ao número de 52 milhões de cães, somados aos de 22 milhões de gatos, em um total de mais de 70 milhões de animais, quase a metade da população brasileira, que está estimada em aproximadamente 200 milhões de habitantes. Em um país onde as pessoas gastam mais com pets do que com filhos, o mercado só aquece, girando uma cifra em torno de 16 bilhões de reais por ano.

A degradação moral começa quando o indivíduo, perante seu remorso, começa a moldar a realidade segundo as suas próprias frustrações, negando por exemplo, a transcendência que é gerar filhos, não apenas substituindo essa benção divina pela posse de animais de estimação, chegando ao absurdo de compará-los a filhos. Muitos destes “donos de pets” acabam por se arrastar ao universo animal, afogando-se em lamúrias junto aos seus bichos, terminando por desenvolver emoções e desejos que deveriam manter com seres de sua espécie (aqui me refiro a zoofilia, por exemplo).

A humanização dos animais de estimação – consequência dessa decepção com o próprio ser humano, é um mercado que a indústria de pets manipula nos bastidores. É fácil observarmos mulheres que chamam seus gatos ou cães de “filhinhos”, vestindo-lhes roupinhas, colares, botas, passando-lhes perfumes e enchendo-os de laços e fitas. Elas esquecem-se do óbvio: um animal é um animal. Estes seres vivos necessitam de outros de sua espécie, pois são animais de convivência em grupo, e não serem trancafiados em apartamentos. Precisam se exercitar, correr livremente em vez de serem carregados em carrinhos de bebês e além disso, precisam entender a sua posição dentro da hierarquia: devem reconhecer exatamente quem é o seu dono, “o líder alfa”, e não estar no comando da situação, como é possível observar em alguns casos, quando os donos fazem todas as vontades de seu pet.

Seria loucura afirmar que até os bichos estariam sendo usados como uma ferramenta para dissolução da instituição familiar? Não posso afirmar com exatidão, contudo, como é de conhecimento de todos, a agenda utiliza-se de todos os meios para obter suas vantagens: de estudantes a gayzistas, dos laboratórios de psicologia às universidades, e da mídia até – pasmem – à igreja. Seria perfeito, pois quem desconfiaria de algo tão inocente? Contudo, deixo bem claro aos apressados: os animais aqui não tem a menor noção do que passa na cabeça humana, e não podemos de modo algum culpabilizá-los. Mas, aquele que decide ter animais ao invés de ter filhos, poderia muito bem questionar a si mesmo e, com toda honestidade, refletindo diante de suas capacidades descobrir se aquilo que o motiva não se trata apenas de uma só situação: medo da solidão ou covardia para enfrentar as responsabilidades e consequências da vida adulta.

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